Não Fiz Sozinha #2 - What's Up

13:46:00


Se me dissessem que a minha noite de sexta-feira seria assim, eu não teria acreditado. Até porque, quem acreditaria se dissessem: olha, seu irmão mais novo acabou de matar o professor de Bioquímica dele? Mas aqui está o corpo, quase que boiando, inerte, em uma piscina de sangue.

O programa favorito de toda garota de vinte e cinco anos, não é mesmo?

   - Eles vão nos tirar dessa, Amanda - meu irmãozinho tremia feito vara verde, encolhido em um canto da sala, quase pulando de susto toda vez que um carro subia a rua. "Pode ser a polícia", virou sua frase favorita.

   - É, aqui nós protegemos os nossos - retruquei em tom de deboche vendo Bruno afundar o rosto nas mãos.

  - Eles vão nos tirar dessa enrascada, Mandy! - ele resmungou novamente, usando o meu apelido, para tentar me amaciar.

Claro, um grupo de jovens, com a vida apenas começando, enfrentaria acusações de assassinato só para ajudar o novato da cidade. Acorda, Bruno!

Irmandades de Faculdade são irmandades apenas no nome. O significado dessa palavra não se aplica no mundo cão.
   - Não vão, não.

Fui seca porque queria que ele voltasse a si e me ajudasse a bolar um plano para nos livrar dessa enrascada.

Tampei o nariz para bloquear a mistura de sangue e compostos químicos que impregnavam o ar.

    - Vou nos tirar dessa - Bruno levantou e foi até a cozinha, voltando de lá com um facão gigantesco.

    - Ótimo! Mais um objeto infestado de digitais e DNA. O que você vai fazer? Esquartejar o cara?

   - Pelo menos eu tenho uma ideia do que fazer! - ele berrou montando em cima do cadáver com a faca erguida.

O mais estranho é que, antes que ele cravasse o facão no corpo ele se moveu, abriu os olhos e gritou. Mas a reação dele não foi rápida o suficiente. Bruno já tinha tomado impulso e desferiu o golpe final bem no peito do professor que agora o encarva de olhos arregalados. Um grito mudo preso nos lábios roxos.

   - Merda, merda, merda, merda, merda! - Bruno jogou a faca no sofá e começou a chorar. - Não acredito que isso está acontecendo.

   - Que merda é essa que está acontecendo?

   - Não é o professor! - ele berrou entre soluços. - É o Caio, o menino que me desafiou a vir até aqui para roubar última prova do semestre.

   - Sério que você continua sendo estúpido o suficiente para tentar entrar em irmandades secretas de faculdade? Quem te prendeu na porra dos anos noventa, cara?

   - Eu não sei... Eles me disseram que a casa estaria vazia. E no início estava. Aí eu fui seguido e o professor... quer dizer, o Caio rolou a escada e ficou parado nessa piscina de sei lá o quê. Rosto coberto e virado para baixo. Eu nunca poderia adivinhar.

   - E a hora em que o professor chega em casa? Isso você consegue adivinhar?  

Em resposta à minha pergunta, escutamos um carro estacionar na garagem, o ruído de passos, e depois. 

"O que vamos fazer?" meu irmão murmurou quando a maçaneta da porta começou a se mexer.

   - O mesmo que fazemos quando você estraga as coisas. 

   Me posicionei no canto esquerdo da porta e mandei que Bruno se escondesse atrás do sofá.

   - Ao meu sinal...

Quando o velho entrou e acendeu a luz, se deparou com um corpo, dessa vez verdadeiramente ensanguentado. Ele ficou tão chocado que congelou, facilitando o meu trabalho. Pulei em suas costas e apliquei a melhor chave de pescoço que consegui, enquanto gritava:

   - Agora, Bruno!

Meu irmão não perdeu tempo e esfaqueou o professor. Acho que o velho já queria morrer, porque nem resistiu, se quer ficou tenso. Abraçou a morte como uma criança abraça o cobertor favorito.

   - Toma - estendi para ele o baseado que eu tinha enrolado mais cedo. Queria que ficasse calmo. - Me ajude a arrumar essa bagunça.

Com cuidado, arrastamos o professor até o corpo de Caio, pusemos seus braços ao redor do corpo do garoto. Fui até o meu carro do lado fora e peguei o galão de gasolina reserva. Encharcamos os corpos. Na cozinha, Bruno abriu o gás e saiu da casa. Indo me esperar do lado de fora.

Antes que o gás chegasse na sala, risquei um fósforo e joguei em cima dos dois. Eles queimaram como aqueles salgadinhos de isopor, que nutricionistas incendeiam ao vivo na TV para mostrar como são nocivos à saúde,

Talvez eles sejam nocivos a saúde do mundo, estamos apenas fazendo uma limpeza.

   - O que faremos agora, Mandy? - Bruno perguntou enquanto deixávamos a casa/fogueira para trás.
   
   - O mesmo que fazemos quando você apronta dessas. Recomeçamos em uma cidade nova. Dessa vez, sem irmandades ok? Esse não é exatamente o tipo de coisa que uma garota de vinte e cinco anos espera de uma noite de sexta. 




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