RESENHA - O Vilarejo

20:19:00


Título: O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Editora: Suma de Letras
Páginas: 96
Ano: 2015

Ultimamente eu tenho me interessado muito por autores nacionais e também não é de hoje que venho desenvolvendo certa curiosidade pelo gênero de terror/suspense (apesar de, na prática, ter lido muito pouco). Foi assim que um belo dia ouvi falar desse tal O Vilarejo, o terceiro e mais recente livro de Raphael Montes. Além de ter o “double check”, a história realmente acendeu em mim a fagulha chamada preciso ler isso hoje. Resumo: no dia seguinte já estava com o livro embaixo do braço.

Dividido em sete contos, o livro é sobre um vilarejo (juuura?!) em algum lugar assolado por um inverno rigoroso, pela guerra civil e esquecido pelo resto mundo. Os capítulos contam as histórias dos moradores e correspondem aos demônios que representam cada um dos sete pecados capitais: Belzebu - Gula, Leviathan - Inveja, Lúcifer - Soberba, Asmodeus - Luxúria, Belphegor - Preguiça, Mammon - Avareza e Satan - Ira.

Apesar de estarem sob influência desses demônios/pecados, são os próprios moradores os responsáveis por tudo de macabro que acontece no lugar. Isso por si só já um super diferencial. Não há vilões, os grandes antagonistas do livro são as pessoas que, em situações limites, são levadas a cometerem as maiores atrocidades.

Os contos não precisam ser lidos na sequência e não seguem uma ordem cronológica, mas as histórias vão se entrelaçando ao longo do livro de maneira sutil e muito bem trabalhada. Daquele jeitinho único que produz reações tipo: “Nooooossa, que f***!”, à medida que a leitura avança.

Quando comecei, não sabia muito bem o que esperar. De novo, li pouquíssimas coisas de terror e não conhecia nada do Raphael Montes. Mas logo no “Banquete para Anatole” (o primeiro conto), já fui atropelada por doses de psicopatia e violência, o que foi sensacional e me deixou com gostinho de quero mais! Seria esse também um sinal de psicopatia???

As situações são muito bem narradas e o autor foca no que é essencial contar. Como é um pequeno livro, não há longas descrições de detalhes, mas isso não deixa a narrativa pobre de modo algum. Muito pelo contrário, os contos são apresentados de forma dinâmicos e você simplesmente não consegue largar na metade, mas precisa dar uma pequena pausa para digestão ao final de alguns deles, especialmente “Banquete para Anatole”, “A verdadeira história de Ivan, o ferreiro” e “O porquinho de porcelana da Sra.Branka”.

Confesso que no início achei a motivação que levou personagens comuns a cometerem atos de extrema crueldade um pouco fracas e repentinas, mas isso é justificado (e que justificativa!) no último conto, “Um homem de muito nomes”.

Um espetáculo à parte é de O Vilarejo é a editoração. Se a capa já não fosse linda o suficiente, somos agraciados por ilustrações macabras de Marcelo Damm, algumas páginas totalmente negras e outras “machadas” de sangue. Enfim, a edição super caprichada é a cereja por cima do bolo, o toque final pro clima sinistro em que Raphael Montes nos envolve.


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