A musicalidade das palavras

22:13:00

Por: Nathália Rippel.


Felipe Pena* defende que a música, muitas vezes, permanece muito mais tempo em nossa memória do que a literatura. Antes de explicar essa teoria, vamos brincar? Esse jogo é proposto pelo autor para comprovar seu ponto de vista. Vamos lá? É só pensar rápido:

Qual a primeira frase do seu livro preferido? Lembrou? Acho que não. Caso tenha conseguido, vamos para o próximo desafio: de memória, tente contar para si mesmo, com começo meio e fim, as histórias de seus cinco livros favoritos. Lembrando personagens, enredo e os cenários. Articulando narrativas verbais. Caso você tenha conseguido, parabéns! Você é uma exceção. 

Agora, para dar continuidade, vamos falar de música. Tente cantar cinco canções. Fácil. Em qual época elas fizeram sucesso? Moleza. Vamos complicar um pouco? Como estava sua vida pessoal na época? Namorado da época, emprego e locais que mais gostava de frequentar. Aposto que várias lembranças acabaram de te invadir. Agora que já provamos – ou tentamos – que a música permanece mais em nossas memórias do que a literatura, vamos explicar o motivo pelo qual isso ocorre.

Embora toda palavra seja um conjunto de sons, nem todas conseguem alcançar a musicalidade –  particularidade, característica ou estado do que é musical – ou seja, a harmonia. E ela é imensamente mais poderosa do que a sintática. O cérebro responde melhor a melodias do que a frases. É neurológia, ciência, explica Pena.  

Todavia, existem casos nos quais as sílabas funcionam como notas musicais que se associam e transformam as palavras em uma espécie de motivo para a melodia da frase. Os melhores textos literários são capazes de fornecer prazeres semelhantes aos de ouvir uma música. Se você passou no teste acima só há duas opções: seu livro preferido é um achado extremamente valioso ou você tem uma memória realmente invejável! 

E aí? Consegue reconhecer a musicalidade das palavras? Concorda com essa teoria?

* PENA, Felipe. Jornalismo Literário. São Paulo, 1º edição. Editora Contexto: 2008.

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