Não Fiz Sozinha #5 - You Are In Love

20:34:00

A ideia do Não Fiz Sozinha é publicar toda semana um conto isnpirado nas letras das minhas músicas favoritas. E no fim, se você for louco e quiser se torturar um pouco, pode me ouvir cantando um cover estragando a canção. A escolhida dessa semana é You Are In Love , do álbum 1989 da Taylor Swift.
Bom conto e boa música!



Não importa quantos anos se passem, ou quantas noites de sexta cheguem para mim. Ainda vou me lembrar daquela em 1989; noite escura, um barzinho pequeno e entupido de gente lá na orla de Copacabana. Toda luz que eu podia ver vinha dos seus olhos, e você me devolvia o olhar como se dissesse que todo aquele brilho era só pra mim.

O tempo passou tão rápido nesses anos em que estivemos juntos. Não por termos aproveitado pouco, na verdade, eles só passaram voando porque foram perfeitos, até nos momentos de imperfeição. O melhor de tudo é saber que eu posso revivê-los ao lembrar do seu sorriso.

Só de pensar meus dedos coçam pela memória de passar pelos seus cabelos, de desabotoar o seu casaco até chegar na sua blusa de botão. Meus lábios comprimem o sorriso que vivia escrachado para todas as piadas que você contava. Diferente da maioria dos meus amigos, você nunca teve que ser má pra me arrancar uma boa risada.

Acho que é por isso que nunca precisei de provas para saber se o que eu sentia por você era sério. 
Com você era tudo tão forte, tão intenso, que frequentemente eu me forçava a ficar acordado até de madrugada porque não queria perder um segundo que fosse da nossa conversa. Você sabia disso e achava graça quando eu bocejava. Às vezes me surpreendia com uma xícara de café. Às vezes você me pedia para te olhar e assim nós ficávamos. Nos encarando em estado de mútua admiração.

Não precisávamos preencher o silêncio com palavras, nem mesmo dizer para os nossos conhecidos ou para as pessoas que esbarravam na gente pela rua. Estávamos apaixonados, e era/é amor de verdade.

Uma das minhas lembranças favoritas é a de quando menti para você e disse que sabia cozinhar. Depois daquele café da manhã de domingo, minha cozinha ficou pelo menos dois meses fedendo a torradas francesas queimadas. Você tentou correr até o fogão, desesperada, vestindo apenas a minha blusa e, em vez de te deixar desligar o forno, te agarrei pela cintura sem vontade de te deixar partir.

Quando estávamos juntos, o mundo se reduzia a nós dois. Só Deus sabe quantos espetáculos rendemos para o público por causa disso. Beijos escandalosos, brigas tímidas, reconciliações acaloradas. Em todas as situações, eu sempre acabava recitando minhas palavras favoritas: você é a minha melhor amiga. Você me disse que só teve certeza de que eu te amava quando disse isso pela primeira vez.

Ainda escuto o seu amor no silêncio, ainda o sinto me protegendo por aí e leio sobre nós nas estrelas que dançam pelo universo no mesmo compasso que nós dançamos juntos tantas vezes. Por que é amor, amor de verdade.










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2 comentários

  1. Não me mata não, Marianna!!! Tem um olho na minha lágrima. Lindo demaaaaaais <3

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