Precisamos Falar Sobre Hamilton

09:45:00


Hoje faz exatamente um mês que eu assisti um dos espetáculos mais populares na Broadway. Obama viu, Jay-Z, Beyoncé, Emma Watson, Shonda Rimes, Jake Gyllenhaal, enfim, todo mundo que é alguém  já deu os seus pulinhos e foi assistir à peça.

Eu descobri esse tesouro no Grammy 2016, mas confesso que no dia estava tão fissurada no 1989 e no To Pimp a Butterfly que não dei à performance a devida atenção. Só me perguntava: "gente por que tá todo mundo de faniquito aceso por causa dessa peça?".

Fui pesquisar, baixei a trilha e duas músicas depois estava viciada.




Mas só um pouquinho viciada.
Túmulo do Hamilton na Trinity Church
Estátua do Hamilton no Central Park, perto do Metropolitan Museum of Art
Mas Marianna, por que você virou stalker de gente morta? 

Para entender como esta peça virou o fenômeno que é hoje, vou fazer que nem o Vídeo Show e te levar em uma viagem (leia com voz da Cissa Guimarães) direto do túnel do tempo.



Em maio de 2009, Lin-Manuel Miranda foi convidado para se apresentar em um evento de artes e poesia na Casa Branca. Lá ele disse que estava trabalhando em um CD de hip hop que contaria a história de um homem que incorpora todos os elementos deste estilo musical: o primeiro secretário de tesouro dos EUA, Alexander Hamilton.

Naquela noite, há sete anos, todos riram quando ele disse isso. Mas hoje, com 11 Tony Awards, 1 Pulitzer e um Grammy quem tá rindo à toa é ele. Parece que o jogo virou, não é mesmo?


Usando como base a biografia Alexander Hamilton, escrita por Ron Chernow, Miranda narra a vida de Alex em 46 músicas incríveis. Do período turbulento em que ele não passava de um órfão pobre em uma pequena ilha do Caribe, até sua chegada em Nova York, sua habilidade com palavras, sua importância na independência do país e sua carreira política.

Lendo estas palavras você deve se questionar: como um show que facilmente poderia ser confundido com uma aula de história pode ser tão bom?

Além de letras inteligentes, boas doses de provocação e ousadia, Miranda transformou figuras históricas em personagens carismáticos e escalou atores perfeitos para trazê-los a vida.



Outro ponto positivo é a escolha do rap, hip hop e R&B como principais ritmos para a peça. Ainda vemos muitos elementos comuns à shows da Broadway, mas de um jeito revigorante, novo e melhorado. Por exemplo, as músicas cantadas pelo rei George são baladas pop de dor de cotovelo. Um protesto por ter sido abandonado pelos EUA.




Um dos maiores destaques dado pela imprensa americana é a escolha do elenco. Negros, latinos e asiáticos têm espaço com personagens que tradicionalmente seriam interpretados por brancos. E sendo sincera, das 6 produções que eu assisti durante a minha viagem, Hamilton era a única com pessoas de várias etnias no elenco principal.

A justificativa dada por Miranda é que ele queria que o show refletisse o povo americano de hoje não o dos anos de 1700.


Como deu pra ver na foto acima, o cenário é bem simples, e durante a apresentação isso não muda muito. Mas não deixe isto te enganar. Com 2h30 de duração (dividido em duas partes de 1h10 com um intervalo de 20 minutos), cenário minimalista, coreografias de encher os olhos e atores afinadíssimos, Hamilton é um espetáculo que faz jus à fama que tem. É caro, mas vale a pena cada centavo. 

PLUS:
Além de nos apaixonarmos por Hamilton, temos a oportunidade de conhecer personagens como:

JOHN LAURENS

Intelectual da época e um dos melhores amigos de Hamilton, Laurens acreditava que não haveria verdadeira liberdade enquanto ainda houvesse escravidão nos EUA. Além de publicar textos abolicionistas, ele criou o primeiro exército formado inteiramente por negros. Seu objetivo era libertá-los quando a independência fosse conquistada.











AS IRMÃS SCHUYLER

ANGELICA SCHUYLER (a do meio)

Tida como uma das mulheres mais inteligentes de seu tempo, muitos afirmam que ela tinha mais talento para a política que George Washington e Thomas Jefferson e, não fosse pelo machismo, teria tudo para ser a primeira presidenta dos EUA. 

ELIZABETH SCHUYLER (a de vestido azul)

Apesar de não se envolver tanto no meio político quanto a irmã, Eliza estava profundamente envolvida em atividade filantrópicas. Uma de suas maiores conquistas foi a fundação do primeiro orfanato particular de Nova York.

Eu amo demais as duas! Acho que o trecho da peça que mais traduz a personalidade delas é esse aqui:


Uma ode ao american dream, recheado de clamores por igualdade, Hamilton é um must see para todos os admiradores de teatro e música.

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