RESENHA - Fahrenheit 451 (Desafio Rory Gilmore de Literatura 1#)

21:03:00

Como vocês podem conferir neste post, há alguns meses, eu prometi que leria e postaria uma resenha do desafio por mês. E, como vocês também podem conferir neste mesmíssimo blog, eu não fiz isso.
Vontade não faltou, o que faltou mesmo foi tempo e dinheiro. Mas agora que eu voltei e não to mais economizando tudo para torrar em viagem, minhas desculpas acabaram. Então, venho por meio deste post, publicamente me redimir.



Título: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Editora: Globo Livros
Páginas: 256
Classificação:




Sinopse:
Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, Fahrenheit 451, de Ray Bradubury, revolucionou a literatura com um texto que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. Agora, o título de Bradbury, que morreu recentemente, em 6 de junho de 2012, ganhou nova edição pela Globo de Bolso.
O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos.
Fahrenheit 451 tornou-se um clássico não só na literatura, mas também no cinema. Em 1966, o diretor François Truffaut adaptou o livro e lançou o filme de mesmo nome estrelado por Oskar Werner e Julie Christie.

O 84º livro da lista do desafio, Fahrenheit 451, sempre foi alvo da minha curiosidade, não só pelo tema, mas por ser um dos livros pioneiros no gênero distópico. E preciso dizer que não fiquei nem um pouco decepcionada com o que encontrei.

Por ter uma trama simples, com uma linha de acontecimentos pouco apoteótica, Bradubury conseguiu trabalhar muito bem os aspectos da sociedade distópica que ele construiu. E o que mais me chocou foi que quase todas as previsões feitas pelo autor em 1953  para sua cidade futurística estão se concretizando.

Pela primeira vez eu li uma distopia e pensei: isso não é uma versão exagerada dos defeitos da sociedade moderna. É um retrato perfeito do que somos e para onde estamos indo. 
O que alimenta mais a situação é que, nesta distopia, o governo totalitário não é o vilão número um. Não há um líder malvadão onde nós podemos depositar todo o nosso ódio e frustração. Isso porque o vilão somos nós mesmos e a nossa avidez pelo consumo.


O livro me fez relembrar conceitos da comunicação como Industria Cultural e Sociedade do Espetáculo. Simplificando bem a teoria de Adorno: "a Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente". O que era lazer, se torna-se um meio de manipulação.

Este conceito, aliado a crença de Debord de que na Sociedade do Espetáculo “o espectador é suposto ignorante de tudo, não merecedor de nada. Quem fica sempre olhando, para saber o que vem depois, nunca age", sempre me faziam pensar na "família" citada diversas vezes no livro.

A família é o maior símbolo de autoridade "geral" da sociedade. Ela é literalmente uma família virtual que aparece em transmissões realizadas por painéis gigantescos. Esta "TV" do futuro tem um tremendo poder alienador a ponto de as pessoas se importarem mais com o que acontece com as pessoas dentro da tela que com seus familiares fora dela.

"Cristo agora é um da "família". Muitas vezes me pergunto se Deus reconhece seu próprio filho do jeito que o vestimos, ou devo dizer despimos? Ele agora é uma guloseima, um bastão de açúcar cristal e sacarina, quando não está fazendo referências veladas a certos produtos  comerciais de que todo fiel absolutamente necessita. pág 101-102"

Soa familiar? 

Recheado de uma crítica assertiva, Fahrenheit 451 é um clássico que definitivamente vale o seu tempo e atenção.

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