CRÍTICA| Lar das Crianças Peculiares

18:09:00



Para mim, é muito difícil falar de qualquer produto criado a partir da trilogia do Ransom Riggs. Isso porque eu li Miss Peregrine Home for Peculiar Children muuuuito antes de ele ficar famoso aqui no Brasil, antes mesmo de ele ter sido traduzido para português. 



Me lembro como se fosse ontem. Cheguei na livraria sem um centavo para gastar e comecei a babar em todos os lançamentos. Depois fui para a minha parte favorita da loja: a seção de livros importados. Em 2013 ainda era comum encontrar livros em inglês por preços mais em conta que os lançados em português, por isso, eu sempre dava um confere por ali.

Naquele dia em especial, eu dei de cara com esse livro super bizarro, cheio de fotos louconas e com uma sinopse incrível. Fim da história: passei no cartão de crédito e deixei que a Marianna do futuro se preocupasse com o gasto extra.



Daí, alguns anos depois, saiu a notícia de que o Tim Burton iria adaptá-lo para o cinema. Tinha tudo para ser o Match mais que perfeito do Tinder Livro-Cinema, mas não foi. Parte da minha animação morreu no trailer, quando eu vi que o poder da Emma tinha sido mudado (bem como sua aparência física), personagens que só aparecem no segundo livro já davam as caras e, o que mais me incomodou, a Johny Deppização da Miss Peregrine.

Foi como se o Tim Burton tivesse olhado para a história pensando: ok, isso é muito Tim Burton, mas o que eu preciso fazer para deixar isso ainda mais Tim Burton?

Então se você for fã do diretor e não tiver lido o livro vai conseguir gostar e se divertir com o filme. É quase um The Best of Tim Burton, por Tim Burton. Tem gente pálida com um ar meio doentio, poderes bizarros, stop motion, luta com esqueletos e por outros elementos que se destacaram na filmografia dele.

A impressão que eu tive foi que ele começou empolgado, querendo contar tudo da história, aí olhou para o contador e viu que já tinha 50 minutos de filme e nenhum fio de ação que pudesse conduzir a narrativa ao final, sem ele tivesse que recorrer à continuações. Ou seja, além de espremer 3 livros em um filme só, ele ainda inventa cenas ruins que não existem e joga de qualquer jeito ao longo das 2h7 de duração.

Como quando a gente era aluno e ia fazer uma questão com limite de tamanho na escola. Começa de um jeito lindo, todo rebuscado, aí chega no meio e percebe que só tem mais três linhas para terminar.

Se você ainda não leu os livros, por favor, dê uma chance ao Ransom! A complexidade do universo criado por ele, o carinho e atenção dados aos personagens secundários e o ritmo da trama fazem com que a história seja viciante.




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