Resenha - Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

11:52:00


Título: Harry Potter and the Cursed Child
Autor: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne 
Editora: Little Brown and Company
Páginas: 320
Classificação:



Sinopse:
Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

 Embarcar mais uma vez nesse universo que foi a porta de entrada para o meu amor pela literatura foi muito gostoso. Eu devorei as páginas alimentada pela nostalgia e pela ansiedade de saber como Harry resolveria tudo no final. E, por esse livro ter sido tão emocional, precisei chamar reforços para me ajudar a falar sobre experiência que ele proporciona.

Vamos lá!



O livro começa exatamente de onde Harry nos deixou no fim de Relíquias da Morte. Revemos a última cena do embarque no Expresso Hogwarts. Dessa vez, com mais detalhes que nos permitem ter uma noção maior da personalidade dos filhos de Harry, Rony e Hermione e de Draco. Coisa que no sétimo livro da série não é tão evidente.

Nesta nova aventura, acompanhamos o desenrolar da história através do nosso trio favorito, mas também de uma dupla que promete: Alvo e Escórpio. Acaba que, em menos de 2 minutos de conversa, os dois garotos descobrem que tem mais em comum que poderiam imaginar.

Como se trata de um roteiro de peça de teatro e de uma história que avança muito rápido, qualquer coisa que eu disser além disso pode ser considerado um spoiler. Então vamos fazer o seguinte, se você quiser ler uma opinião sem spoilers, leia a do Álvaro. A minha vai ter apenas alguns, mas nada muito gigantesco e a da Laís é pra você que gosta de spoilers e não liga pra descobrir antes da leitura.


Álvaro Dyogo
A Criança Amaldiçoada: Nostalgia e desprendimento no universo mágico

Em "Harry Potter e a Criança Amaldiçoada", temos acesso não só ao mundo adulto que agora cerca o nosso protagonista, como também à Hogwarts atual, através, principalmente, de seu filho, Alvo Severo Potter, e de seu melhor amigo, Escórpio Malfoy - sim, o filho do maior inimigo de Harry na época da escola. Enquanto os adultos se preocupam com a notícia de um alarmante vira-tempo restante sob posse de um antigo comensal da morte, Alvo se depara com todo o peso de ser filho do famoso menino que sobreviveu. Relações familiares conturbadas, frustrações de um adolescente que se sente rejeitado e um novo mergulho numa história que já conhecemos preenchem essa trama recheada de aventura e nostalgia.

Para quem espera uma história cheia de detalhes e uma narrativa poderosa como estávamos acostumados a ver nos livros da série original, essa oitava história pode decepcionar. O formato teatral faz com que sejam predominantes os diálogos, de modo que é principalmente através deles que (re)conhecemos os nossos personagens. "Harry Potter e a Criança Amaldiçoada" nos faz um convite para revisitarmos um passado que tanto nos deixou saudades, e nos exige algum desprendimento para aceitarmos que alguns personagens podem não ter evoluído exatamente como imaginávamos. Ainda há espaço para nos surpreendermos com a trama e nos encantarmos com novos personagens - especialmente Alvo e Escórpio. No fim, vale a leitura, de coração aberto, para que cada potterhead possa descobrir aquilo que o conquista nessa nova trama.


Marianna Leão (euzinha)

Achei engraçado ver a transformação do Harry de garoto aventureiro para pai completamente perdido de livro infanto-juvenil. Ele consegue preencher todos os requisitos principais para essa categoria:
1) não sabe ouvir o filho; 2) não sabe o que dizer pra ele; 3) é babaca às vezes, fica até parecendo um revival do Harry aborrescente de A Ordem da Fênix (mas a gente perdoa). Achei o Rony muito apagadinho na trama, parece que colocaram ele estrategicamente em algumas cenas só pra falar: olha ele tá aqui. Mas fiquei feliz por ver como ele e a Hermione cresceram e amadureceram não só como indivíduos, mas como casal. 

Além de uma coisinha que é um mega spoiler (mas você pode ler no depoimento da Laís), tiveram três coisas me desagradaram no livro. 1) Cadê o Ted Lupin? Ele não é afilhado do Harry? Não precisa nem fazer ele aparecer, nem nada, só citar ele. 2) Amo o Rony e o Rupert realmente traz um ar "piadista" pra o personagem, mas eu senti que deram uma pesada na mão, como se ele estivesse se esforçando pra substituir o espaço deixado pelo Fred. 3) J.K.Rowling, minha linda, você é super talentosa, vamos pensar num vilão diferente, por favor? Ninguém aguenta mais o tio Voldi! Daqui a pouco vão falar que as suas histórias são receita de bolo que nem as do Dan Brown.

Algumas coisas vão te incomodar? Provavelmente. Isso significa que é menos mágico? Nunca! Que você deva deixar de ler? JAMAIS! Então pega a caixa de lencinhos (você vai precisar em duas partes muito específicas), seu ingresso para o Expresso Hogwarts e se joga!

PS: se você está esperando cair de amores pela família Potter o livro todo, sinto muito te informar, mas A Criança Amaldiçoada é feita pra você amar os Malfoy. <3


Laís Vicentino


Poder ver como o trio principal da história evoluiu em personalidade e como vivem após 19 anos da Batalha de Hogwarts foi encantador. Adorei o Alvo ter ido para Sonserina, ao invés da Grifinória, como todos de sua família. Achei uma sacada incrível. Mostrar um membro da tão amada e adorada família Potter tendo problemas em casa por se sentir diferente dos pais e irmãos, brigas e desavenças sérias entre pai e filho sendo “justificadas” ao ele ser selecionado para a casa menos provável para um Potter. Harry cometendo erros ao se comunicar com seu filho mais, digamos, “problemático”. Erros esses que são totalmente compreensíveis quando parei para perceber que ele nunca teve uma figura paterna digna para servir de exemplo – afinal os candidatos a preencherem essa vaga foram todos mortos.


O que mais me agradou na história, para minha grande surpresa, foi a família Malfoy. Draco sendo um pai maravilhoso, sofrido, preocupado e com um amor enorme pelo filho. Escórpio por sua vez, rouba toda a cena para ele. Engraçado e de bem com a vida, apesar da sua profunda tristeza pela morte da mãe e dos boatos maldosos ao seu respeito. Por boa parte do livro, shippei que o Alvo e o Escórpio formassem um casal no final, mas gostei de ver o interesse do Escórpio pela Rose (que só conseguiu me conquistar beeeem no fim do livro). Um casal Granger-Weasley e Malfoy é um tanto quanto inusitado, não?!

O que menos me agradou foi o banho de água fria que a personagem Delphini me deu. Não por ser quem ela é, mas pela forma na qual foi apresentada. Filha de Voldemort com a Belatrix. Basicamente, foi essa a apresentação da personagem mais importante do livro. O que me deixou imersa em um milhão de perguntas e conclusões: mas como Voldemort poderia ter tido uma filha? Quando ele volta em o Cálice de Fogo, não volta como um ser humano qualquer, mas repleto de magia negra,  “mais branco que um crânio, com olhos grandes e vermelhos, um nariz chato como o das cobras e fendas no lugar das narinas”. Como todos sabemos, ele não era capaz de amar, mas em nenhum momento da história foi dito que ele sentira luxuria – afinal, ele só pensava no poder que tanto desejava. Nunca foi expressada nenhuma vontade dele ter algum herdeiro para continuar seu império, ou para fazer o que ele não conseguisse. Voldemort não pensava que poderia fracassar. Ele sempre foi convicto que conseguiria tornar-se o que sempre almejou. Acho que eu conseguiria compreender melhor se a Delphi fosse apresentada sendo mais velha, talvez com a mesma idade que o Harry. Ou então como um backup, para ele retornar a vida no corpo de um herdeiro. Na minha mente não encaixa o fato de Voldemort ter procriado. Acho que ela poderia continuar sendo filha da Belatrix e ter feito tudo o que fez por ter herdado o fascínio da mãe pelo Lorde das Trevas – mas nunca, jamais, em hipótese alguma por querer conhecer e ser amada pelo pai.

Mas, mesmo assim, recomendo que todos os amantes de Harry Potter leiam o novo livro. É impagável a sensação de felicidade ao poder embarcar em mais uma aventura neste universo incrível!

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2 comentários

  1. Amei o livro!! Nostalgia e vontade de ler todos os livros de novo foram as coisas que eu senti quando acabou!

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    1. Com certeza! Você termina se roendo de vontade de reler os livros e rever os filmes. É um universo tão completo e que esteve com a gente por tanto tempo que é impossível não sentir falta.

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